A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.
Via Maurício. Pelo whatsapp.
terça-feira, 25 de agosto de 2015
sexta-feira, 31 de julho de 2015
algumas poesias de Patrizia Cavalli
§
Se você batesse agora à minha porta
e tirasse os seus óculos
e eu tirasse os meus que são iguais
e então você entrasse na minha boca
sem temer beijos desiguais
e me dissesse: "Meu bem,
mas o que aconteceu?", seria a peça
um acontecimento teatral.
§
Quantas tentações atravesso
no percurso entre o quarto
e a cozinha, entre a cozinha
e o banheiro. Uma mancha
na parede, um pedaço de papel
caído no chão, um copo d´água,
um olhar pela janela,
oi para a vizinha,
um cafuné na gata.
Assim esqueço-me sempre
da ideia principal, me perco
no caminho, me quebro
dia após dia e é inútil
tentar qualquer volta.
via: http://revistamododeusar.blogspot.de/2014/02/patrizia-cavalli.html
traduzido por Ricardo Domeneck
Se você batesse agora à minha porta
e tirasse os seus óculos
e eu tirasse os meus que são iguais
e então você entrasse na minha boca
sem temer beijos desiguais
e me dissesse: "Meu bem,
mas o que aconteceu?", seria a peça
um acontecimento teatral.
§
Quantas tentações atravesso
no percurso entre o quarto
e a cozinha, entre a cozinha
e o banheiro. Uma mancha
na parede, um pedaço de papel
caído no chão, um copo d´água,
um olhar pela janela,
oi para a vizinha,
um cafuné na gata.
Assim esqueço-me sempre
da ideia principal, me perco
no caminho, me quebro
dia após dia e é inútil
tentar qualquer volta.
via: http://revistamododeusar.blogspot.de/2014/02/patrizia-cavalli.html
traduzido por Ricardo Domeneck
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Poema Abraço, de Murilo Mendes
Sim: letra e nuvem
lutam com os sonhos
Pela posse do poema.
O sino da tempestade
Convida a criação às núpcias,
O véu da ternura desce
Sobre a carne inconformada.
A página aberta do livro
Mostra a inicial de Altair.
Responde o clarim augusto:
_Vestida de água e céu
Voas acima do tempo.
No espelho do futuro
Te assisto refletida.
Serás tu mesma? Ou sou eu.
lutam com os sonhos
Pela posse do poema.
O sino da tempestade
Convida a criação às núpcias,
O véu da ternura desce
Sobre a carne inconformada.
A página aberta do livro
Mostra a inicial de Altair.
Responde o clarim augusto:
_Vestida de água e céu
Voas acima do tempo.
No espelho do futuro
Te assisto refletida.
Serás tu mesma? Ou sou eu.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
michel serres
Aí, começa, verdadeiramente, a história. Como dois labirintos tão complicados podem se encontrar, se sobrepor, se complementar? Ariadne se perde no Teseu. Teseu não se encontra nas avenidas e entroncamentos traçados no monte de Ariadne. Seria preciso conceber a relação de duas espécies, dois gêneros, dois reinos, tigre e pavão, zebra e jaguar, joaninha e papoula, centopéia e calcedônia, um camaleão em mármore. Acontecem milagres, alguns tigres ou tiglões sobrevivem a duras penas. Ou melhor, é preciso que Ariadne se torne branca, que Teseu reenrole em sua roca todos os fios que embaraçam e dividem o corpo multicor de Ariadne. Nossa alma de superfície, salvo milagre, cria obstáculo a nossos amores, como se tivéssemos uma couraça de tatuagens. É preciso depor a couraça, fundir os mapas dos caminhos e das encruzilhadas, descobrir a alma ou fazê-la arder de outra maneira, para que as chamas se misturem. Quando a alma entra em um órgão, ele adquire consciência e a perde. Se o dedo toca o lábio e se diz eu, a boca torna-se objeto, mas na verdade o dedo se perde [...] A alma, como poças, forma a tatuagem, o conjunto dessas linhas cruzadas desenha um campo de forças: o espaço da pressão extraordinária da alma para apagar docemente as sombras do corpo, e os recursos máximos do corpo para resistir a esse esforço. Na pele, a alma e o objeto se avizinham, avançam, ganham ou perdem terreno, mistura demorada e vaporosa do eu e do corpo negro, de onde sai, em um dado momento, a cauda de pavão de cores misturadas. A luta termina com o corpo místico branco de alabastro. Não sou mais nada. Ou com o corpo cibernético, caixa-preta, outro nada. A transfiguração extática, perda do corpo na alma, retira a tatuagem. O descascamento obtido, o autômato perfeito também a retiram da caixa-preta total. Assim, o corpo misturado, encontra-se no meio, entre o céu e o inferno: no espaço cotidiano.
fonte: http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=6099 pg 113
fonte: http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=6099 pg 113
terça-feira, 26 de maio de 2015
Stela do Patrocínio, em diagramação de sua fala por Viviane Mosé
Não sou eu que gosto de nascer
Eles é que me botam para nascer todo dia
E sempre que eu morro me ressuscitam
Me encarnam me desencarnam me reencarnam
Me formam em menos de um segundo
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Ou pra cabeça deles e pro corpo deles
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.de/2013/05/stela-do-patrocinio-1941-1997.html
Eles é que me botam para nascer todo dia
E sempre que eu morro me ressuscitam
Me encarnam me desencarnam me reencarnam
Me formam em menos de um segundo
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver
Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Ou pra cabeça deles e pro corpo deles
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.de/2013/05/stela-do-patrocinio-1941-1997.html
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