Eu sou o Grão-Istoaquilo
O rigoroso regimento
O oxigenoma Sine Qua Non
O anônimo 1%
O P.P.Tit. e dito cu
Culatra sem boca e buraco
O honorável talhercúleo
Capa nova em velho cardápio
Eu sou o pífio vitalício
O Sr. Dezembro em dúzia
O colecionável Filatelo
Em verniz vinil e fúcsia
O desabrochável semigual
O honoris causa Dr. Ômega
O brancomo berço d´ouro
O paparazzível Domine
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2008/04/hans-arp-1887-1966.html
sábado, 2 de maio de 2015
vamos lá mana cante a canção, de Harryette Mullen, tradução por Ricardo Domeneck e original
vamos lá mana cante a canção
vamos lá mana cante a canção
blond miss dona rubrosa
passou a manhã toda
ensaboando seu sudão
ela chega à linha de chegada
sozinha ou consigo
hei de esgoelar enquanto
você me dá o ritmo
não se canse diretoria
dê prática à sua teoria
ela pergunta se é coisa de homem
ou coisa de pronome
desejando a ele sorte
deu-lhe os limões que chupa
disse-lhe benzinho ao cangote
melhore sua embocadura
(tradução de Ricardo Domeneck)
[go on sister sing your song]
Harryette Mullen
go on sister sing your song
lady redbone señora rubia
took all day long
shampooing her nubia
she gets to the getting place
without or with him
must I holler when
you’re giving me rhythm
members don’t get weary
add some practice to your theory
she wants to know is it a men thing
or a him thing
wishing him luck
she gave him lemons to suck
told him please dear
improve your embouchure
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2010/03/harryette-mullen.html
vamos lá mana cante a canção
blond miss dona rubrosa
passou a manhã toda
ensaboando seu sudão
ela chega à linha de chegada
sozinha ou consigo
hei de esgoelar enquanto
você me dá o ritmo
não se canse diretoria
dê prática à sua teoria
ela pergunta se é coisa de homem
ou coisa de pronome
desejando a ele sorte
deu-lhe os limões que chupa
disse-lhe benzinho ao cangote
melhore sua embocadura
(tradução de Ricardo Domeneck)
[go on sister sing your song]
Harryette Mullen
go on sister sing your song
lady redbone señora rubia
took all day long
shampooing her nubia
she gets to the getting place
without or with him
must I holler when
you’re giving me rhythm
members don’t get weary
add some practice to your theory
she wants to know is it a men thing
or a him thing
wishing him luck
she gave him lemons to suck
told him please dear
improve your embouchure
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2010/03/harryette-mullen.html
Por que eu não sou pintor, de Frank O'Hara, tradução por Ricardo Domeneck e original
Por que eu não sou pintor
Eu não sou pintor, sou poeta.
Por quê? Eu acho que preferiria ser
pintor, mas não sou. Bem,
por exemplo, Mike Goldberg
começa um quadro. Eu dou
uma passada. "Senta e bebe alguma coisa",
ele diz. Eu bebo; nós bebemos. Eu dou
uma olhada."Você pôs SARDINHAS neste."
"É, precisava de alguma coisa ali."
"Ah." Eu vou e os dias vão-se
e dou outra passada. O quadro
está indo, e eu vou, e os dias
vão-se. Dou uma passada. O quadro está
pronto. "Cadê SARDINHAS?"
Tudo o que sobrou são
letras, "Estava exagerado", diz Mike.
E eu? Um dia começo a pensar sobre
uma cor: laranja. Eu escrevo um verso
sobre laranja. Não demora a tornar-se
uma página inteira de palavras, não de versos.
Então, mais uma página. Deveria ter
tantas coisas mais, não de laranja, de
palavras, de como laranja é horrível,
e a vida. Dias vão-se. É assim mesmo
em prosa, eu sou poeta de verdade. Meu poema
está pronto e eu ainda não mencionei
laranja. São doze poemas, eu chamo de
LARANJAS. E um dia numa galeria
eu vejo o quadro de Mike, chamado SARDINHAS.
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Why I am Not A Painter
I am not a painter, I am a poet.
Why? I think I would rather be
a painter, but I am not. Well,
for instance, Mike Goldberg
is starting a painting. I drop in.
"Sit down and have a drink" he
says. I drink; we drink. I look
up. "You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh." I go and the days go by
and I drop in again. The painting
is going on, and I go, and the days
go by. I drop in. The painting is
finished. "Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters, "It was too much," Mike says.
But me? One day I am thinking of
a color: orange. I write a line
about orange. Pretty soon it is a
whole page of words, not lines.
Then another page. There should be
so much more, not of orange, of
words, of how terrible orange is
and life. Days go by. It is even in
prose, I am a real poet. My poem
is finished and I haven't mentioned
orange yet. It's twelve poems, I call
it ORANGES. And one day in a gallery
I see Mike's painting, called SARDINES.
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2008/04/frank-ohara-1926-1966.html
Eu não sou pintor, sou poeta.
Por quê? Eu acho que preferiria ser
pintor, mas não sou. Bem,
por exemplo, Mike Goldberg
começa um quadro. Eu dou
uma passada. "Senta e bebe alguma coisa",
ele diz. Eu bebo; nós bebemos. Eu dou
uma olhada."Você pôs SARDINHAS neste."
"É, precisava de alguma coisa ali."
"Ah." Eu vou e os dias vão-se
e dou outra passada. O quadro
está indo, e eu vou, e os dias
vão-se. Dou uma passada. O quadro está
pronto. "Cadê SARDINHAS?"
Tudo o que sobrou são
letras, "Estava exagerado", diz Mike.
E eu? Um dia começo a pensar sobre
uma cor: laranja. Eu escrevo um verso
sobre laranja. Não demora a tornar-se
uma página inteira de palavras, não de versos.
Então, mais uma página. Deveria ter
tantas coisas mais, não de laranja, de
palavras, de como laranja é horrível,
e a vida. Dias vão-se. É assim mesmo
em prosa, eu sou poeta de verdade. Meu poema
está pronto e eu ainda não mencionei
laranja. São doze poemas, eu chamo de
LARANJAS. E um dia numa galeria
eu vejo o quadro de Mike, chamado SARDINHAS.
(tradução de Ricardo Domeneck)
:
Why I am Not A Painter
I am not a painter, I am a poet.
Why? I think I would rather be
a painter, but I am not. Well,
for instance, Mike Goldberg
is starting a painting. I drop in.
"Sit down and have a drink" he
says. I drink; we drink. I look
up. "You have SARDINES in it."
"Yes, it needed something there."
"Oh." I go and the days go by
and I drop in again. The painting
is going on, and I go, and the days
go by. I drop in. The painting is
finished. "Where's SARDINES?"
All that's left is just
letters, "It was too much," Mike says.
But me? One day I am thinking of
a color: orange. I write a line
about orange. Pretty soon it is a
whole page of words, not lines.
Then another page. There should be
so much more, not of orange, of
words, of how terrible orange is
and life. Days go by. It is even in
prose, I am a real poet. My poem
is finished and I haven't mentioned
orange yet. It's twelve poems, I call
it ORANGES. And one day in a gallery
I see Mike's painting, called SARDINES.
fonte: http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2008/04/frank-ohara-1926-1966.html
sábado, 25 de abril de 2015
Zona de Conforto, por Ruy Proença
se você
viu um prego
em minha testa
e acha
que isso faz
todo o sentido
então viver
é menos perigoso
do que eu imaginava
vamos
pendure
um quadro
Eutomia, Recife, 14 (1): 603-614, Dez. 2014
viu um prego
em minha testa
e acha
que isso faz
todo o sentido
então viver
é menos perigoso
do que eu imaginava
vamos
pendure
um quadro
Eutomia, Recife, 14 (1): 603-614, Dez. 2014
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
I have not lain with beauty all my life, Lawrence Ferlinghetti, tradução de Eduardo Bueno
fonte: http://www.readin.com/blog/?k=book:author:ferlinghetti&o=aI have not lain with beauty all my lifetelling over to myselfits most rife charms
I have not lain with beauty all my lifeand lied with it as welltelling over to myselfhow beauty never diesbut lies apartamong the aboriginesof artand far above the battlefieldsof love
It is above all thatoh yesIt sits upon the choicest ofChurch seatsup there where art directors meetto choose the things for immortalityAnd they have lain with beautyall their livesAnd they have fed on honeydewand drunk the wines of Paradiseso that they know exactly howa thing of beauty is a joyforever and foreverand how it never neverquite can fadeinto a money-losing nothingness
Oh no I have not lainon Beauty Rests like thisafraid to rise at nightfor fear that I might somehow misssome movement beauty might have made
Yet I have slept with beautyin my own weird wayand I have made a hungry scene or twowith beauty in my bedand so spilled out another poem or twoand so spilled out another poem or twoupon the Bosch-like world
-----------------------------------------------------------------------------------------
Em toda a minha vida jamais deitei com a beleza
confidenciando a mim mesmo
seus encantos exuberantes
Jamais deitei com a beleza em toda a minha vida
e tampouco menti junto a ela
confidenciando a mim mesmo
como a beleza jamais morre
mas jaz afastada
entre os aborígenes
da arte
e paira muito acima dos campos de batalha
do amor
Ela está acima disto tudo
oh sim
Está sentada no mais seleto dos
bancos do templo
lá onde os diretores de arte encontram-se
para escolher o que há de ficar eterno
E eles sim deitaram-se com a beleza
suas vidas inteiras
E deliciaram-se com a ambrosia
e sorveram os vinhos do Paraíso
Portanto sabem com precisão
como algo belo é uma jóia
rara rara
e como nunca nunca
poderá desvanecer-se
num investimento sem tostão
Oh não jamais deitei
em Regaços da Beleza como esses
receoso de levantar-me à noite
com medo de perder de alguma forma
algum movimento que a beleza pudesse esboçar
No entanto dormi com a beleza
da minha própria e bizarra maneira
e aprontei uma ou duas cenas muito loucas
com a beleza em minha cama
e daí transbordou um poema ou dois
e daí transbordou um poema ou dois
para esse mundo que parece o de Bosch
fonte: http://www.culturapara.art.br/opoema/lawrenceferlinghetti/ferlinghetti.html
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
O corpo sob a pele é uma fábrica superaquecida, de Antonin Artaud
O corpo sob a pele é uma fábrica superaquecida,
e por fora,
o doente brilha,
reluz,
em todos os seus poros,
estourados
fonte: https://arazaoinadequada.wordpress.com/2013/05/10/deleuze-maquinas-desejantes/
e por fora,
o doente brilha,
reluz,
em todos os seus poros,
estourados
fonte: https://arazaoinadequada.wordpress.com/2013/05/10/deleuze-maquinas-desejantes/
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Uma espécie de perda, de Ingeborg Bachmann, duas traduções
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um aponta-
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
tradução de Judite Berkemeier e João Barrento
------------------------------------------------------------
De uso comum: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as xícaras de chá, a cesta de pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Uma ordem doméstica respeitada. Dito. Feito. E sempre a mão estendida.
Apaixonei-me por invernos, por um septeto vienense e por verões.
Por mapas, por um canto na montanha, por uma praia e por uma cama.
Mantive um culto a datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei um algo e fui devota de um nada,
(- do jornal dobrado, das cinzas frias, do papel com uma anotação)
sem temer a religião, pois a igreja era essa cama.
Minha inesgotável pintura surgiu de olhar o mar.
Da varanda saudava os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, meus cabelos tinham sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme para minha alegria.
Não foste tu que perdi,
mas o mundo.
tradução de Claudia Cavalcanti
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um aponta-
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
tradução de Judite Berkemeier e João Barrento
------------------------------------------------------------
De uso comum: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as xícaras de chá, a cesta de pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Uma ordem doméstica respeitada. Dito. Feito. E sempre a mão estendida.
Apaixonei-me por invernos, por um septeto vienense e por verões.
Por mapas, por um canto na montanha, por uma praia e por uma cama.
Mantive um culto a datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei um algo e fui devota de um nada,
(- do jornal dobrado, das cinzas frias, do papel com uma anotação)
sem temer a religião, pois a igreja era essa cama.
Minha inesgotável pintura surgiu de olhar o mar.
Da varanda saudava os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, meus cabelos tinham sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme para minha alegria.
Não foste tu que perdi,
mas o mundo.
tradução de Claudia Cavalcanti
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