Yuri viu que a Terra é azul e disse a Terra é azul.
a folha é verde, via que a água era transparente
e dizia a chuva está caindo via que a noite surgia
e dizia lá vem a noite, por isso uns amigos diziam
atestavam que tolo se limitava a tautologias
e inimigos juravam que Yuri era um idiota
nos museus, teatros, diante da televisão, alguém
varrendo a manhã, cafés vazios no fim da noite,
a neve e chorava; se estava triste, se alegre,
essa mágoa; mas ria se via um besouro dizia
o homem estava doido; mas sua mulher assegurava
que ele apenas voltara sentimental. O astronauta
ao ver as filhas brincando de passar anel
e de melancolia ao deparar com antigas fotos
de pendões e medalhas, mas sua aldeia menina,
dos carpinteiros, das luas e lobisomens,
de seus primos, coisas assim, luvas velhas,
furadas, que servem somente para chorar.
de Yuri pareciam transpassarar parede,
nas reuniões de trabalho, nas solenidades,
e no instante seguinte podiam se encher de água
e os dentes ficavam quase azuis de um sorriso
ou não, afirmara em relatório oficial que Yuri
Gagarin vinha sofrendo de uma ternura
mas parecia que era exatamante isso, porque
o herói não voltou místico ou religioso, ficou
de um pequeno-burguês, conforme sentença
do Partido a portas fechadas. Certo dia, contam,
de paixão pelas telas cubistas degeneradas de Picasso.
Médicos recomendaram vodka, férias, Marx,
para ser igual a todo mundo; mas,
quando aparecia apenas banal, logo dizia coisas
quiseram calá-lo; uma pena; Yuri voltou vivo
e não nos contou como é a morte.